Jussara Silveira, Sacha Amback e Marcelo Costa
lançam “Ame ou Se Mande” pelo selo Joia Moderna
Ame ou Se Mande é o sexto disco de Jussara Silveira que o selo Joia Moderna, de Zé Pedro, lança agora no início de outubro. Feito em parceria com Sacha Amback e Marcelo Costa, o CD traz composições de Celso Fonseca e Ronaldo Bastos (A Voz do Coração), Cezar Mendes e Capinam (Ifá), André Carvalho e Quinho (Bom), Toni Costa e Luiz Ariston (O Dia que Passou), Roberto Mendes e J. Velloso (Doce Esperança) e até mesmo um poema de Fernando Pessoa musicado por Zé Miguel Wisnik (Tenho Dó das Estrelas).
Destaque também para as regravações de Babylon (Zeca Baleiro), Contato Imediato (Arnaldo Antunes/Carlinhos Brown/Marisa Monte), Dê um Rolê (Moraes Moreira/Luiz Galvão), Marcianita (José Imperatore Marcone/Galvarino Villota Alderete) e Madre Deus (Caetano Veloso).
Foram quatro anos desde os lançamentos de “Nobreza” (em parceria com Luiz Brasil) e “Entre o Amor e o Mar”, que Jussara ocupou desenvolvendo projetos paralelos como o DVD “Três Meninas do Brasil”, gravado ao lado de Rita Ribeiro e Teresa Cristina, o show “Viagem de Verão” com André Mehmari e Arthur Nestrovski incluindo canções de Schubert a Caymmi, além de colaborar na trilha sonora do espetáculo “Sem Mim” do Grupo Corpo, junto com Zé Miguel Wisnik e Carlos Nuñes.
“A sonoridade mudou radicalmente. Depois de anos tendo o violão como grande companheiro, convidei Sacha (piano acústico/teclado) e Marcelo Costa (percussão), para desenvolvermos este trabalho. Dei sorte, confirmei na prática que a idéia foi genial”, complementa Jussara.
“Ame ou Se Mande” foi gravado em maio deste ano nos estúdios Zega Music e Yahoo/BR Plus, no Rio de Janeiro. A direção é de Sacha Amback e Marcelo Costa. A distribuição nacional será feita pela Tratore.
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Produzido por Marcelo Costa e Sacha Amback

Jussara Silveira é uma joia moderna e brasileira. Me desculpe a obviedade com que começo este texto, mas nada me vem à cabeça que me pareça mais justo ao classificar essa cantora baiana que chegou ao mercado durante os anos noventa e nunca deixou de surpreender os seus ouvintes fiéis.
Sempre dona de um repertório inesperado e inteligente, além de um sexto sentido para revelar novos compositores, Jussara volta agora com esse álbum que sintetiza toda a sua história musical.
Aqui estão os letristas e músicos que ela escolheu para estar por perto desde sempre. Um Contato Imediato de Arnaldo Antunes, uma versão sapeca de Marcianita, uma soberana Madre Deus de Caetano e uma louca Babylon de Zeca Baleiro, igualmente misturadas, em riqueza musical.
Jussara ilumina com perfeição essas canções que estariam fadadas ao descuidado esquecimento não fosse o seu talento nato para pescar pérolas no lago da cancão popular brasileira.
Marcelo Costa e Sacha Amback, dois grandes músicos, envolvem o canto de Jussara com belos arranjos que misturam, na dose exata, modernidade e tradição.
Nascido de um show aclamado e adotado como essencial por seus admiradores, esse repertório não deixa dúvidas: Jussara Silveira é uma joia moderna e brasileira. Assim comecei este texto, encerro com a certeza definitiva do que digo. Então aperte o play e boa viagem.
DJ Zé Pedro
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POESIA PRA TOCAR NO RÁDIO
Jussara Silveira por Patricia Palumbo
Jogando uma boa conversa fora com a poeta e letrista Alice Ruiz chegamos à conclusão de que nossa amiga mais poeta sem ser é Jussara Silveira. Ela é capaz de sacar um livro da estante no meio de uma entrevista e ilustrar nosso trabalho com uma leitura de Catulo.
É assim que recebo seu novo disco, como um poema. Ou uma sucessão deles. Jussara sempre pautou seu trabalho na verdade da vida, naquilo que importa pra ela e que no fim é o que vale pra nós todos. Seus discos são reflexo de suas escolhas. Todas muito pensadas num tempo muito particular.
Pra fazer “Ame ou se Mande” ela escolheu Sacha Amback e Marcelo Costa. Sozinhos já são músicos excepcionais, juntos fazem do som uma nova invenção.
Jussara pensou num trio e no resultado do encontro da sua voz com essas inteligências musicais. Da intenção ao fato veio esse som cheio de texturas, essa conversa entre os três músicos no palco: Jussara, Sacha, Marcelo. E a gente sabe que a boa música é como a boa conversa. Foi muito esperto levar o show para o estúdio, ficou impresso o diálogo.
Jussara gosta de falar do amor e da saudade. Tem feito isso lindamente com essa voz limpa, clara, afinada e elegante. Desta vez, sem violão! E aqui parece que quer nos levar pra uma cidade imaginária num mundo melhor, um Cabo Verde baiano com a capital cercada de mar. As canções tem sequência proposital num encadeamento poético musical pautado também por pessoas que fazem parte de sua história.
Ouça Contato Imediato na íntegra
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por: Patricia Palumbo
1. A Voz do Coração (Celso Fonseca/Ronaldo Bastos)
Depois de quatro anos sem gravar ela vem pra falar da pessoa inserida nesse mundo do consumo, do imediatismo jogando poesia no nosso cotidiano vão. Abrir o disco com essa música é já dar o recado. Ronaldo Bastos lançou seu primeiro cd e ainda o antológico Canções de Caymmi. Começa aqui o cd e a sucessão de pessoas que importam.
2. Ifá (Cezar Mendes/Capinan)
Uma reza, um canto de oração e de amor. Um jogo de búzios nas teclas de Sacha Amback. Irao bonfim é um habito, uma tradição da baiana que reza aos deuses da música e do candomblé. Ouviu essa canção de Cezar Mendes – com quem canta e toca desde muito cedo – num barzinho em Salvador. Uma parceria com Capinam.
3. Madredeus (Caetano Veloso)
A cena é num trapiche do recôncavo baiano. Deitada olhando o céu percebe a imensidão com os versos de Drummond e o compasso ímpar da música em 5. Conversa de músico.Caetano Veloso é paixão e referência.
4. Contato Imediato (Arnaldo Antunes/Marisa Monte/Carlinhos Brown)
Os Tribalistas aparecem pra destacar o encadeamento poético do cd. Diante da imensidão o que se quer é um contato imediato. Arnaldo, Marisa e Carlinhos com sua poesia pop romântica num arranjo que lembra a musica de um carrossel que flutua e viaja pedindo por um mundo melhor.
5. Marcianita (José Imperatore Marcone/Galvarino Villota Alderete - Versão: Fernando César)
A esperada! Clássico do seu repertório de shows, Marcianita , a astronauta tropicalista está com Jussara desde o primeiro show. Todo mundo pedia e finalmente ela gravou. Mais uma vez Caetano – influencia primeira.
6. Bom (André Carvalho/Qinho)
E de Caetano pra João Gilberto é só uma nota. Um samba de roda com cara de Bim Bom. Essa musica pra Jussara é a própria leveza, Marcelo Costa que trouxe. Parceria do filho de Dadi, Andre Carvalho com Qinho, jovens compositores da cena carioca.
7. O Dia que Passou (Toni Costa/Luiz Ariston)
Outra vez o sol… Lembra a canção dos Beatles, mas não é, é a musicado engano. Quando você presta atenção na letra toma um susto com aquela tristeza – a vontade de Jussara é que a pessoa se reconheça na canção
8. Tenho Dó das Estrelas (Zé Miguel Wisnik sobre poema de Fernando Pessoa)
Estrelas luzindo há tanto tempo, tenho dó delas... Jussara canta e depois diz: Fernando Pessoa me dá tontura. Desde criança ela canta a separação, faz parte do seu DNA esse lirismo dolente, esse fado tropical. No arranjo primoroso a poesia de Portugal ganha uma morna do Cabo Verde. Aqui fica explícito, um poema em forma de canção.
9. Doce Esperança (Roberto Mendes/J. Velloso)
Uma outra oração, amor cheirando a jasmim. Jussara sempre cantou Doce esperança e faz a ponte com Marcianita, uma filha de oxum espacial.
10. Babylon (Zeca Baleiro)
Resgata a música que tem letra deliciosa esquecida nas paradas de sucesso. Uma brincadeira com o amor e o mundo do consumo – o que Zeca Baleiro faz muito bem muito como cronista espirituoso. Sai do lugar da queixa e foi o que mais agradou a cantora.
11. Dê um Rolê (Moras Moreira/Luiz Galvão)
Amor da cabeça aos pés! Mais Jussara impossível. Uma canção sugerida por mim, me lembrou Jussara, há mais de 5 anos. Sempre achei perfeita pra ela cantar. Taí, e é dado o recado. Como ela mesma diria, fica assim entre nós essa promessa de felicidade. Aproveite em alto bom som!
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